CRÓNICA // Moda portuguesa em Paris


A semana passada, três designers portugueses apresentaram as suas colecções Outono-Inverno na Semana da Moda de Paris. O Portugal Fashion foi o grande dinamizador desta internacionalização da moda portuguesa, levando não só os designers a Paris, como também uma entourage de jornalistas, editores e fotógrafos. Tudo isto para mostrar lá fora o melhor design Made in Portugal.
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Fátima Lopes abriu a Semana da Moda de Paris, desta vez no emblemático Hotel National dês Invalide, apresentando uma colecção feroz e dramática sob o tema “À flor da pele”. O desfile começou ao som de violinos e logo apareceram silhuetas fortes, bem delineadas, pretos, nudes e muito vermelho sangue numa colecção que a própria criadora diz ser "a sua cara".Confesso que nunca fui fã da estética de Fátima Lopes, mas reconheço uma grande evolução desde há cerca de dez anos a esta parte, ou não estivesse ela presente na Semana da Moda de Paris há já tanto tempo. Acima de tudo, admiro a sua veia de empresária, que consegue exportar a sua marca em força para mercados internacionais e ter uma visão comercial apurada da indústria da moda.



Luís Buchinho, que apresentou a sua colecção Outono-Inverno 12/13 fora do calendário oficial da Semana de Moda de Paris, foi uma agradável surpresa. Não que não esperasse uma boa colecção (coisa que já nos tem habituado), mas não esperava um salto tão grande desde a última colecção – o que me faz acreditar que tem tudo para, num futuro próximo, se apresentar no calendário oficial e ser (ainda mais) reconhecido internacionalmente.
Nesta colecção o criador inspirou-se na calçada portuguesa porque, segundo o próprio, “É um tema muito geométrico e, portanto, agrada-me”. Apesar de todo este conceito, não deixou de lado a parte funcional aliada à estética. E foi isso mesmo que me surpreendeu. Buchinho tentou centrar a colecção em apenas duas ou três ideias, como ele próprio explicou, criando equilíbrio entre estrutura e fluidez, sedas e lã. Agora sou eu que digo que esta colecção é "a minha cara" - muito arquitectural e geométrica, com um tailoring fantástico e mistura de texturas. 



Felipe Oliveira Baptista foi, para mim, uma espécie de lufada de ar fresco – apresentou a sua colecção no Cercle National dês Armées, na cidade que o acolheu e onde vive e trabalha há uma década. O designer mencionou que não fez a colecção pensado num tema em específico, mas que foi mais "uma grande mistura de referências, um trabalho sobre o corte, sobre o uso das cores e um trabalho de inovações técnicas a nível do têxtil”, o que, na minha modesta opinião, resultou numa estética funcional e “vestível”, mais do que puramente conceptual.
Acreditem, as minhas expectativas quanto a esta colecção não podiam estar mais altas, coisa que raramente acontece. Estava eu longe de imaginar que Filipe Oliveira Baptista iria superar todas essas expectativas e surpreender-me com algo totalmente inesperado. Para mim, FOB desenha peças icónicas, merecedoras de serem usadas por uma qualquer fashion icon desse mundo fora, como se de Wang, Stella ou Balenciaga se tratasse. 

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Eu diria que a moda portuguesa lá fora nunca teve de tão boa saúde – e ainda bem, porque o país nunca precisou tanto de exportar como agora. Let's stay tuned for more..



2 comentários:

R C disse...

Vi ontem, na Modalisboa, o desfile de Luís Buchinho e adorei! :)

Ana Sofia disse...

Ontem vi Luis Buchinho e adorei adorei!

http://misannie.blogspot.com/